Chegamos no Japão no dia 28 de março de 1991 com o coração partido por deixar tantas pessoas queridas para trás. Durante 5 meses moramos em Shizuoka. No meio do nada. Mas tivemos muitas experiências gostosas em Família. Ajudou muito a crescer a união que temos até hoje e manter nosso coração quentinho. Hoje vou contar sobre a nossa fuga.Se você começou por esse post, sugiro que volte nos primeiros post para compreender melhor nossa vida aqui logo que chegamos.Como contei num post anterior, passei alguns perrengues em uma escola logo que chegamos no Japão. Na época as escolas não tinham nenhuma preparação para atender os estrangeiros que aqui começavam a chegar. Talvez por ser interior. Hoje em dia as coisas são bem diferentes. Mas naquela época não era fácil não. Enquanto eu insistia que não queria mais voltar para escola, meu pai e meus tios não estavam muito satisfeitos com seus trabalhos.
Como ja disse antes também, não éramos os primeiros da familia a estar no Japão. Tínhamos família espalhada em várias regiões. E após a visita de um tio e tia que moravam na região onde moro hoje, Toyota, todos já tinham noção que ali não era nosso lugar. Aqui no Japão minha família é bem grande. As vezes até tio e tia que não são de sangue estão ali como tios e tias. E foi o caso de um tio, irmão de uma tia avó minha. Hahahaha complicado né… mas família né gente…não precisa ser de sangue. Família é família. Ele foi o maior herói desse post. Então dedico esse post a ele Marcos Shimada. Não lembro desse dia pra dizer a verdade. Mas lembro que foi do nada. Eu era criança, então não me lembro dele. Mas lembro de suas filhas. Uma cheguei a ter mais contato quando criança, lembro que ela era surda. Mas mesmo assim nos divertíamos. Criança é bom demais né.
Segundo meus pais, eles estavam insatisfeitos com o serviço. Pois vieram para trabalhar com eletrônico, e caíram em concreto. Serviço bem pesado. Isso acontece bastante aqui no Japão. Por esse motivo não recomendo vir por empreiteiras. No dia da fuga, segundo meu pai Marcos chegou em casa do nada e disse que levaria as mulheres e as crianças. Todos empacotaram as coisas e resolveram ir. Imagina uma quantidade de malas de 3 famílias. Pois foi tudo o que coube na van de Marcos. Segundo do Ana, tio Milton foi quem nos acompanhou de trem rumo a cidade de Toyota, onde começaríamos ali uma nova vida. Quando aproximava, a sensação era que estávamos chegando em uma grande cidade. De fato Toyota cresceu muito nos últimos anos. Mas ainda é interior. Mas pra quem vinha do meio do nada, Toyota era sim uma grande cidade. E moramos ali no centro de Toyota por um tempo. Era divertido morar bem no centro. Apesar de o Japão ser um lugar escuro no geral, ali era bem iluminado.
Como nossa mudança nao tinha sido planejada, conseguimos apenas um apartamento para 3 famílias. Imaginem que loucura. Todos dormimos ali aquela noite pois era bem pequeno o apartamento. O resto do apartamento tinha malas por toda a parte.
Meu pai e meu tio Moreira que haviam ficado em Shizuoka se juntaram a nós no dia seguinte. A empreiteira vendo aquele aperto se apressou a arrumar outros apartamentos para todos no mesmo dia.
E assim começava mais uma jornada no Japão. Lembrando que era nesse apartamento que tinha o banheiro do post anterior ..
A escola que ali frequentamos eu e meu irmão, foi uma escola muito acolhedora. Lá quando batia o sinal do recreio, as crianças vinham até a janela olhar os dois brasileiros que entraram na escola. Todos ficaram bem curiosos com a gente.
Eu me sentia um coelhinho na jaula. Era engraçado. Quando nos despedimos rumo a mais uma cidade, foi bem triste deixar aquela escola. Foi um tempo muito curto. Mas aquela escola ficou no meu coração. Lembro que quando fomos rumo a mais uma cidade, uma amiguinha me deu um coelho de pelúcia que guardei com muito carinho por muito tempo. E mais uma vez estávamos nos mudando para outra cidade, Okazaki.Obrigada por acompanhar, se inscreva para nao perder nenhum post. Fique bem...