Como era trabalhar na escola japonesa


Depois de tanto tempo consegui resolver um problema nesse blog e voltar ao ar (Espero). A diferença cultural entre a escola brasileira e japonesa são muito grandes. 

Eu cresci no Brasil, mas vim morar no Japão com 9 anos. Da escola no Brasil, tenho lembranças muito vagas. Mas felizes. 

Nunca vou esquecer da minha primeira professora, Sônia e sua filha Soninha. Logo que cheguei no Japão tive claro, um choque cultural muito grande. Uma professora sem preparação nenhuma me empurrou da cadeira quando eu nao estava compreendendo o que ela estava falando. 

Por um bom tempo isso me deixou desgostosa com as escolas. Mas graças a meus pais ciganos, pude conhecer outras escolas com a qual acabei me encontrando. 

E percebi que nem todas as escolas estão tão despreparadas para receber alunos estrangeiros. Deve sim, ter algum lugar bem antiquado no interior de alguma cidade. Mas em 2023 acredito que estão bem mais preparados que em 1991.

Hoje em dia costuma ter tradutoras, sala de aula com crianças estrangeiras para aprender japonês e clubinho depois das aulas para pais e mães que trabalham. ( minha mãe trabalha em Um)
Trabalhei por um ano em uma escola ensinando japonês para crianças. Era o máximo. Mas não tinha psicológico para lidar com o bullying que muitas crianças sofriam naquela época. E acabei saindo. 





Mas essa época em que trabalhei nas escolas, eram 4 escolas diferentes. Cada uma ganhei muito aprendizado. Uma delas era o uso da psicologia com as crianças. Eu achava o máximo. 

Certa vez a professora teve que se ausentar, e me pediu para cuidar das crianças. Eram 36 crianças de 6 e 7 anos de idade da primeira série. Fiquei realmente aterrorizada. 
Ela riu e falou que era só começar a ler um livro que eles se acalmavam. Morrendo de medo, escolhi um livro na biblioteca no canto da sala de aula, sentei no chão e enfiei a minha cara no livro e comecei a ler. 

Aos poucos fui percebendo o silêncio dentro da sala, e olhei por cima do livro. Para a minha surpresa, todos estavam sentados ao meu redor e um ou dois corriam pela sala. Coisa que durou poucos segundos. As crianças japonesas no geral são muito responsáveis desde cedo.

Então começaram a chamar atenção dos que estavam correndo. “ a Chiemi sensei está lendo… fiquem quietos ! ” achei uma graça. Não esperava realmente que eles se acalmassem. Mas aconteceu. Quando a professora voltou, todos estavam quietinhos ouvindo. 

Após aquele dia, quando faziam uma atividade escolar, a professora fazia o Hanamaru. Que é uma forma de corrigir no Japão dando a criança uma flor. Que quer dizer que foi um ótimo trabalho. A professora havia me explicado que na primeira série todos ganhavam Hanamaru, independente do trabalho. Para incentivar as crianças. Eles ficavam realmente animados.







Faziam filas para ganhar os seus Hanamaru. E ganhei o privilégio de poder corrigir junto a professora os seus trabalhos. Como pensei em ser professora naquela época. 

Era uma diversão só corrigir seus trabalhos. Eles competiam para ver quem chegava na minha fila antes. Nessa escola eu trabalhava junto a professora por uma única aluna brasileira. Ela era bem tímida e fui ganhando a sua confiança ao longo do ano. Por ser uma aluna muito tímida e quieta, fui me aproximando dos seus coleguinhas. Assim ela foi chegando mais até começar a me mostrar o que queria. Mas nunca pude ouvir a sua voz. 

Nas outras escolas eu tinha a minha própria sala de aula. Uma escola cheguei a encontrar uma professora da minha época de aluna. Acho que a primeira série é a série mais alegre e divertida. Por todas as novidades e atividades. 

Cada criança ganha uma caixinha de atividade para cada matéria. Essa caixinha acompanha elas por muitos anos. 
Na minha primeira sala de aula tive o privilégio de conhecer 3 crianças que me incentivaram a continuar por um ano. Nosso horário era tão divertido que acabava rapidinho. E na hora de voltar para suas salas, era um verdadeiro chororo. Partia o coração.   Todos hoje deve ter seus 20 e tantos anos. 
Adoraria vê-lós novamente. Um dos meninos eu soube  que se casou com uma colega minha. Mas nunca o encontrei. 

As escolas japonesas são bem diferentes das escolas brasileiras, mas se me perguntar qual eu gostava mais, com toda a certeza eu amava e ainda amo entrar numa escola japonesa. Amo as bibliotecas, (na escola onde estudei havia duas grandes), as salas de musica, as salas de culinária, computação, ciência, a piscina e o ginásio. Tanta lembranças boas. Espero que tenha gostado desse post. E se você foi meu aluno, ou aluna entre em contato eu vou amar saber de você ! 






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