Esses dias assisti a um documentário australiano sobre pais que tiveram seus filhos sequestrados pelas próprias mães. O título era “ a bizarra lei que torna o sequestro legal no Japão”
Se você entende inglês, vou deixar o link para você assistir.
The buzzare law that makes kidnaping legal in Japan
Tantos anos morando no Japão, eu realmente desconhecia essa “lei”. Mas resumindo esse documentário ele fala de pais que tentam desesperadamente rever seus filhos. Um caso foi que a esposa pegou as crianças falando que estava indo visitar seus pais, e nunca mais voltou.
A pior parte é que esses pais ficam como o mal da história, o cara que abandonou seus filhos. Mas não é o que realmente acontece. E um desses pais, ao ir a casa da cunhada para saber se as crianças estavam lá, a mesma chamará a polícia. E ele ficara preso por algumas semanas. Mas ao tentar denunciar que seus filhos haviam sido sequestrado, a polícia dissera que não podia se envolver em caso de família.
E isso é muito real. Muito perigoso. Muito triste. No mesmo documentário um repórter vai até a casa de uma das mães, mas a polícia é acionada e os pais ficam na mesma. O mais triste, é que existe muitos casos como esse aqui. Isso só contando esses casos dos australianos.
O Japão ao mesmo tempo que é seguro, é um país tão tradicional e com leis tão antigas que em casos como esses, as pessoas não tem quem os defenda. As regras fazem tudo funcionar melhor. Mas o que mais vejo aqui são pessoas infelizes em um trabalho que não gostam, sem sonhos ou perspectiva de liberdade.
O povo que vive aqui acaba sendo atropelado as vezes pelas próprias regras. Sigo um canal do Guchi, que é um professor de japonês que fala muito bem português. E lembro que em um de seus vídeos ele dissera um ditado; “ Ishi no ué sannem”
Que basicamente fala sobre aguentar situações ruins pelo menos 3 anos. Os japoneses são bastante persistentes. E é de se admirar. Acredito que peguei um pouco desse tempero com a minha descendência, ou é puro comodismo mesmo estar a 15 anos aguentando desaforos em um trabalho “boring “ por tanto tempo.
Certa vez um senhor do sindicato dos trabalhadores questionou que não compreendia os brasileiros que pediam as contas com tanta facilidade. Porque os japoneses, aguentavam. Então falei para ele que nossos direitos eram diferentes. E que brasileiros no geral não levavam desaforo para casa.
Ano passado bateu forte o pensamento de como estou vivendo. E o que estou fazendo com a minha vida. A vida é tão curta, não era para apreciarmos mais ? Não era para viajarmos mais ? Não era para vivermos intensamente ?
As regras aqui são boas, pois ajuda a ter organização. Mas como tudo na vida, ela tem dois lados. E é triste saber que algumas pessoas tem suas vidas tão prejudicadas por uma lei que não tem reforma. Bom, nem tudo é flores.
O Japão é um país maravilhoso ! Mas também tem seus lados obscuros. Nos resta torcer para que o pesadelos dessas pessoas tenha hora para acabar. E que a felicidade e o sorriso faça parte de suas vidas novamente. Espero que esses meus pensamentos tenha feito algum sentido.
Obrigada por acompanhar