Acredito que por esse mesmo motivo o país é considerado um país de primeiro mundo. Tudo é muito organizado, ruas limpas, no geral quase tudo funciona em perfeita ordem. A educação vem de pequeno.
Lembro quando criança ouvir minha professora falar de sempre pensar no próximo. E dar exemplo de não fazer com os outros, o que não gostamos que façam com a gente. Ela era bem insistente nisso. E quem ia contra suas regras era envergonhado na frente da turma. A psicologia dela funcionava bem. Filas, não se fura. O que não é seu não pega. Esperar sempre a sua hora. Achado é roubado sim. E não é definitivamente não.
Morando aqui a tantos anos, passamos por algumas grandes catástrofes que viraram notícia no mundo todo. Como o terremoto de Kobe e por último o tsunami. Graças a Deus esses lugares são um tanto longe daqui onde moro. Mas convivemos com o medo do tão previsto terremoto de Tokai. Isso realmente me assombra há anos.
Mas porque estou falando dessas catástrofes ?! Na época do terremoto de Kobe eu era adolescente. Mas lembro do estrago. Aqui e ali havia pontes tombadas. Foi algo que guardei bastante na minha memória e adoraria esquecer. Já no tsunami as coisas foram vem mais reais para mim. Tudo ainda bem recente. Nunca vou esquecer aqueles dias. Mas uma coisa me chamou a atenção.
Em meio ao caos, não vi ninguém saqueando os kombinis (am/pm), furando filas. Era tudo muito organizado. As pessoas faziam filas para pegar seus mantimentos e cada um respeitando o espaço do outro. Claro, que eu não estava lá para ver. Essas imagens gravei graças a televisão que estava registrando todo o movimento.
Essas regras e etiquetas faz do Japão um lugar bem especial e trás a sensação de segurança. O que pode atrapalhar quando viajamos para lugares que não é seguro. Acabamos sendo “presas” fáceis.
Bom estava assistindo love is blind da Netflix, e me veio esse post em mente. Pode ser uma bela de uma viagem. Mas acontece que na quarta temporada de love is blind, os casais se escolhem e saem dali das cabines já noivos. Acontece que um rapaz percebe rapidamente na lua de mel que a mulher escolhida não é a sua alma gêmea.
Mas para a surpresa de todos, o programa da a oportunidade de eles voltarem ao show. E então começam a perceber a conexão que já tinham desde as cabines. Não vou contar o final, porque daí já entrego demais né….
Assistindo a esses episódios acabo fazendo a comparação. Aqui no Japão por ter tantas regras, isso talvez não seria capaz. Regras são regras. Mas me peguei pensando que se o programa dos Estados Unidos ou até do Brasil ( porque também aconteceu com um casal top), não aceitasse deixar os participantes que receberam “Não” ou deram “não” voltar atrás, o destinos dessas pessoas poderia ter sido outro.
E fiquei viajando nisso. Certa vez um apresentador de televisão japonesa que é americano questionou o porque no Japão não pode mudar de curso da faculdade caso percebesse que não era pra ele. E nem os japoneses conseguiram responder. Ele ainda frisou dizendo; “ se eu escolhi ser advogado e percebi que não era pra mim, teria que viver a vida sem sentir-se realizado por uma escolha ruim ?! “
Ninguém soube responder. Aquelas perguntas faziam muito sentido pra mim. Pois as regras funcionam, mas também atrapalham. E eu já havia pensado nisso, mas nunca tinha tido a oportunidade de colocar isso numa discussão. Outro caso que é real. No Japão existe orfanatos como em qualquer outro país.
Mas a adoção aqui é um tanto esquisito. A adoção em si não é tão comum. Você não ouve falar de adoção com facilidade aqui. E é um assunto que é um tabu ainda hoje. Mas o mais bizarro, as mães que colocam seus filhos no orfanato, pode negar que seu filho(a) seja adotado.
Bom, como já ficou bem longo, vou criar a parte 2 desse post. Obrigada por acompanhar 😉