Já contei em algum desses posts sobre o bairro onde moro, tem de tudo não é ?! Mas nem sempre foi assim. Esses dias estava lembrando como tudo começou, e achei legal contar aqui. No bairro onde voltei a morar, foi onde eu cresci. Aqui tem muitos brasileiros, com direito a placas em português na rua. Como pode ver na foto.
Privilégio dos brasileiros. Temos mercados, lojas, creches, livraria, igrejas, escola, salões, e até academia. Para quem chega do Brasil, aqui talvez seja o melhor lugar para se morar. Juro que eu não estou fazendo propaganda. Claro que tem outras cidades. Mas vou falar da minha que tenho mais propriedade para falar. Aqui na cidade de Toyota, no bairro Homidanchi, nem sempre foi tão fácil assim.
Se você leu outros posts, sabe que quando viemos para o Japão, fomos parar lá do ladinho do grande vulcão Monte Fuji. Não tinha nada. E claro que minha mãe e minhas tias precavidas trouxeram em suas malas tudo o que você pode imaginar. Imigrantes de primeira viagem…. que eu me lembro, Feijão, salami, grãos no geral. E tem gente que trazia até sementes ( hoje é proibido ), e graças a isso hoje plantam alimentos que nós brasileiros podemos matar um pouco da saudade.
Diferente de hoje em dia que temos mercados brasileiros, na época não era tão fácil assim. Esperávamos as sexta feiras para comprar no caminhão que vinha de outra cidade vender produtos brasileiros. Tinha de tudo. Desde comidas á revistas e jornais. Também vendia roupas, perfumes e cremes. Na adolescência lembro que esperava ansiosamente para comprar minhas revistas favoritas da atrevida e capricho. Minha mesada ficava sempre no caminhão.
Toda vez que ando pelo bairro, vou a livraria, ou ao mercado brasileiro, lembro dessa época do caminhão. Na época não podíamos precisar de um produto na receita de última hora. Pois era somente uma vez por semana que tínhamos a oportunidade de comprar no importado ambulante. Depois disso, veio os brasileiros empreendedores. Os primeiros a terem lojas no bairro, começaram no seus apartamentos. E os mesmos produtos vendidos no caminhão, começaram a aparecer com mais frequência nas lojas improvisadas dos brasileiros que aqui moravam.
Assim aos poucos fomos perdendo o caminhão de vista. Não sei ao certo quando o caminhão passou a não vir mais para a nossa cidade. Mas depois disso explodiu as lojinhas caseiras ( nenhuma legalizada na época). Admiro demais a criatividade e o jogo de cintura dos brasileiros. Eu que cresci aqui, tive muita dificuldade de encontrar o meu. Hoje sei que quando me falam que eu estou sempre fazendo algo novo, sei que é o meu jogo de cintura que estava guardadinho. Afinal, uma vez brasileiro, sempre brasileiro não é ?! O caminhão ajudou muita gente. Graças a ele, tivemos a oportunidade de ter um pequeno pedaço, gostinho de Brasil. Espero que tenha gostado dessa minha pequena lembrança.
Até a próxima …